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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Nesta Sexta-Feira Santa...




... os nossos blogs trazem um especial sobre a ópera-rock Jesus Cristo Superstar, destacando em cada um dos signos um aspecto diferente da obra, seja o álbum duplo que deu origem a tudo, as montagens teatrais que até hoje são realizadas, ou, principalmente, o filme. Então, vale a pena percorrer todos, pois, para aqueles que já conhecem o musical, a lembrança será oportuna e apreciada; para os que ainda não o conhecem, nossos blogs têm muito orgulho de lhes apresentar esse grande momento da música!

  
Andrew Lloyd Webber (à esquerda) e Tim Rice.


Concebido nos anos 70, o álbum conceitual da dupla Andrew Lloyd Webber e Tim Rice parecia já imbuído de sua importância e atemporalidade. Sim, pois diferente de outros frutos nascidos sob a influência do flower-power, da contracultura e do movimento hippie, como o musical Hair, por exemplo, JCS não ficou datado. Escutamos ou assistimos à obra hoje sentindo o mesmo impacto e admiração que ela causou quando foi lançada. A música de Andrew Lloyd Webber é excepcional e as letras de Tim Rice continuam ferinas, precisas e surpreendentes, com tamanho poder de síntese da verdadeira essência dos Evangelhos, que nem mesmo os mais conservadores conseguem rejeitar o musical como sacrílego, não importando a irreverência e as liberdades tomadas, pois a figura de Cristo acaba sendo mostrada em sua serena grandeza e autoridade com muito mais força do que em encenações mais convencionais e certinhas. No filme, isso é ainda mais acentuado pela comovente interpretação de Ted Neeley.




O libreto, permeado de anacronismos intencionais, gírias e comportamentos e ótica contemporâneos, centra-se nos últimos sete dias da vida de Jesus, começando com os preparativos para sua entrada triunfal em Jerusalém, no Domingo de Ramos, e termina com a crucificação, tudo isso contado do ponto de vista de Judas Iscariotes, retratado como uma figura trágica, insatisfeito com o fato de Jesus não aproveitar sua popularidade para encabeçar uma rebelião contra os romanos.




Tanto no álbum como no filme, Carl Anderson brilha como Judas, que é o fio condutor e, em última análise, o verdadeiro protagonista. Então, é de se ressaltar a importância do fato de o papel ter sido dado a um ator negro. Fosse hoje em dia, onde a preocupação com o politicamente correto leva, às vezes, ao efeito contrário do desejado, o papel de Judas, o traidor, jamais seria oferecido a um ator/cantor negro, por medo de que a opinião pública achasse que seria racismo. Naquela época, quando a geração hippie genuinamente vivia a igualdade entre todos, a parte de Judas foi oferecida a Carl Anderson sem segundas considerações simplesmente porque ele era um soberbo tenor e um intérprete cheio de nuances e da intensidade que o papel pedia. Certamente não fariam isso nos dias de hoje, e seríamos privados de sua atuação. Esse rolo compressor do “politicamente correto” cerceia muitos atores negros atualmente, já que quase nunca são chamados para papéis de vilões, perdendo grandes oportunidades. Só nomes muito consagrados como Morgan Freeman e Samuel L. Jackson, por exemplo, fogem a essa regra não escrita, mas amplamente praticada. Tanto é, que em filmes e seriados de suspense, o culpado praticamente nunca será o suspeito negro e, como o público já sabe disso, o número de suspeitos para ele é reduzido logo de cara e o mistério também. E isso resulta em racismo, da mesma forma, pois atores negros são chamados sempre para papéis muito dignos de médicos ou juízes, mas que na trama não têm a menor importância. Isso sim é racismo! Então, que bom que Jesus Cristo Superstar é de 1970 e nós hoje podemos nos deleitar com o show de Carl Anderson interpretando o maior vilão de todos os tempos.


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Saiba mais sobre os escorpianos Tim Rice (10/11) e Bob Bingham (29/10):

O letrista britânico Tim Rice iniciou sua carreira formando uma bem-sucedida parceria com Andrew Lloyd Webber, com quem compôs, além de Jesus Cristo Superstar, os musicais José e seu Manto Tecnicolor, Evita, Cricket e The Likes of Us.





Toda sua trajetória, na verdade, é permeada de parcerias de sucesso, tanto no teatro como no cinema, e lhe conferiram tanta popularidade que você certamente já deve ter se deparado em algum momento na vida com uma de suas canções. Eis aqui um bom exemplo: 




Pois é! "Hakuna Matata" é dele, em parceria com Elton John. Além das músicas de O Rei Leão, também é de Rice as letras das animações Aladdin e O Caminho para El Dorado.





É de Rice também a letra da canção de abertura de 007 Contra Octopussy (1983), composta por John Barry e interpretada por Rita Coolidge, "All Time High".




Com tantos sucessos em seu currículo, não é de se surpreender que Rice tivesse recebido inúmeras indicações a prêmios e conquistado vários deles: por Aladdino Oscar, o Globo de Ouro e um Grammy de Canção do Ano com "A Whole New World".





Por O Rei Leão, venceu o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Canção Original com "Can You Feel the Love Tonight".





E, em 1996, recebeu seu terceiro Oscar de Melhor Canção Original, junto com Lloyd Webber, pela versão cinematográfica de Evitacom a canção "You Must Love Me". 




São dele também as letras das novas canções para A Bela e a Fera (2017) em parceria com o compositor original, Alan Menken, que foram acrescentadas às músicas do desenho da Disney de 1991.




Com 72 anos, Tim Rice tem ainda muitas canções para trazer ao mundo e encantar plateias.






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Americano de Seattle, Bob Bingham fez seu debut profissional numa produção local da peça Hair. Ele não participou da gravação do álbum original de JCS na Inglaterra, mas conquistou o papel de Caifás na montagem do musical na Broadway, onde se apresentou de 1971 a 1973, e também na versão cinematográfica de Norman Jewison. Dono de um timbre de voz considerado raríssimo, o baixo superprofundo, que é o registro mais grave que a voz humana alcança, Bob largou cedo o mundo dos espetáculos para ir viver pacatamente com a esposa e seus dois filhos em Brewster, New York, ocupando um posto executivo numa fábrica de zíperes. Mas não sem antes participar da première mundial do musical Up from Paradise, com libreto e letras de Arthur Miller e música de Stanley Silverman, no papel de Deus, em 1974.



Em abril de 2015, Bob compareceu, com alguns dos outros atores de JCS, a um evento no Hollywood Boulevard Cinema, para uma sessão de Perguntas & Respostas após a exibição de uma versão remasterizada do filme, que fez parte de uma turnê nacional de divulgação. As reminiscências de sua participação no filme de 1973 foram gravadas junto com as do restante do elenco no DVD Superstar: The Making and Reunion of the Film (2015).



Da esquerda para a direita: Larry Marshall (Simão Zelote), Ted Neeley (Cristo), Barry Dennen (Pilatos), Bob Bingham (Caifás) e Kurt Yaghjian (Anás).


Confira os melhores momentos de Bob Bingham em Jesus Cristo Superstar:







Assista ao filme completo legendado:





Veja também:










Saiba mais sobre a Andrew Lloyd Webber (Blog dos Arietinos), o compositor da ópera-rock

Saiba mais sobre Josh Mostel e Ernie Cefalu (Blog dos Sagitarianos), respectivamente, o intérprete de Herodes e o designer da clássica capa do álbum

Um comentário:

  1. Sou escorpiano com muito orgulho de ser do mesmo signo do genial Tim Rice

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